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Ultimamente
tenho me sensibilizado com a maneira como Satanás tem deturpado o
entendimento sobre Deus no coração humano. A maioria dos cristãos não
conhece Deus como Ele é. Por isso estou iniciando uma série de
considerações sobre as parábolas de Jesus. Há, porém, algo que é
necessário dizer quanto às parábolas: elas descrevem situações muito
simples, mas para entendê-las é preciso lembrar que tratam de condições
eternas, porque Deus não vive, nem age, em termos de 'tempo'.
Dentro
desse princípio, eu gostaria que você me acompanhasse em algumas
considerações sobre a Parábola das Dez Virgens (Mateus 25:1-13).
Chamou-me a atenção a expressão: "estavam apercebidas"
(v.10), pois é evidente que essa é a 'chave' do ensinamento todo: a
necessidade de sermos 'apercebidos'. Mas o que significa ser
'apercebido', pois se você e eu pudermos entender isso, temos toda
condição de nos equacionarmos às cinco virgens 'prudentes' que entraram
com o noivo para as bodas.
Esta
parábola focaliza um acontecimento maravilhoso: o encontro da noiva (os
remidos em Cristo) com o 'noivo' - Cristo. Como Paulo disse:
"Nós, os vivos em Cristo, seremos arrebatados entre nuvens, para o
encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor"
(1 Tess.4:17). Observe, porém, que somente conseguiram 'entrar'
(passar a porta) as prudentes, as 'apercebidas', por isso necessitamos
considerar como ser iguais a elas. Ser 'apercebido' é uma preparação
interior que faz a diferença entre o prudente e o néscio. E Jesus
mostrou essa diferença ao dizer: "Dois estarão no campo, um será
tomado, e deixado o outro. Duas estarão trabalhando num moinho, uma
será tomada, e deixada a outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em
que dia vem o vosso Senhor"(Mat. 24:40-42).
Lamentavelmente, muitos cristãos vivem em total ignorância desse
fabuloso evento que pode acontecer em qualquer momento. E, de certo
modo, somos todos como as dez virgens pois "tardando o noivo,
foram todas tomadas de sono e adormeceram"(v5). Podemos
entender, então, que o 'vigiar' não é uma simples questão de 'ser
avisado' quanto ao arrebatamento (tanto as néscias quanto as prudentes
tiveram conhecimento do fato), mas 'vigiar' é manter acesa a nossa
lâmpada. Assim, precisamos entender primeiro o que é a nossa
'lâmpada'.
Em
Lucas 11:34,35, Jesus ensinou assim: "São os teus olhos a lâmpada
do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será
luminoso; mas se forem maus, o teu corpo ficará em trevas. Repara,
pois, que a luz que há em ti não sejam
trevas". Nossos 'olhos' são a nossa lâmpada, mas Jesus se
refere aos 'olhos do coração', não aos olhos naturais. Como são os
teus 'olhos de coração'? São 'bons' ou 'maus'? Quando os 'olhos do
coração' são 'bons' "todo o corpo é luminoso", mas são 'maus' quando há
qualquer parte do seu corpo ‘em trevas’. Essa é questão pessoal e cada
um deve cuidar disso. Por isso o apóstolo Paulo disse: "(que sejam)
iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual a esperança
do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos"
(Efés. 1:18).
Por
'olhos' entende-se a percepção ou visão das coisas, os objetivos e
expectativas, pois todos nós levamos a vida segundo a 'luz' que temos.
Por isso Paulo recomenda: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te
de entre os mortos, e Cristo te iluminará. Portanto, vede
prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios,
remindo o tempo, porque os dias são maus" (Efés.5:14-16). No
caso das duas mulheres no moinho (citação acima), foi levada aquela que
foi 'iluminada' por Cristo, por ter 'se levantado de entre os mortos',
pois ela não vivia 'nos procedimentos de mortos' como o mundo ao redor,
nem mesmo como a companheira. O ser levado ou deixado é questão de
opção de vida, por isso: "vede prudentemente como andais".
Observe
que todas as dez virgens tinham o mesmo objetivo: "saíram a
encontrar-se com o noivo" (v.1); mas cinco delas não estavam
preparadas quando o noivo chegou. Segundo Jesus, todas elas
"adormeceram,"(v.6). Assim, é fácil entender que 'vigiar'
implica em 'preparo antecipado', pois é impossível ´dar um jeitinho´
quando se ouvir o grito: "Eis o noivo! sai ao seu encontro"(v.6).
Todas dez tinham suas próprias 'lâmpadas' - "olhos do coração" - mas as
néscias não tomarem providências para manter acesas as lâmpadas, pois
'os olhos do coração' delas "estavam-se apagando"(v.8). E
você, como estão os 'olhos' do seu coração?
Você
entende por que as néscias não 'entraram' na festa e se ficaram fora da
porta fechada clamando: "Senhor! Senhor! abre-nos a porta"(v.11)?
Em outra ocasião, Jesus disse: "Por que me chamais, Senhor,
Senhor, e não fazeis o que vos mando?"(Luc. 6:46). Todo o
objetivo de Deus em Cristo é 'preparar-nos' para o arrebatamento. Mas
por não se submeterem a esse 'preparo', as néscias, ao clamaram
desesperadas fora da porta fechada, ouviram a resposta : "Em
verdade vos digo que não vos conheço"(v.12). Então, precisamos
ter consciência de como 'fazer o que Cristo manda' que é viver segundo a
Luz que Ele nos dá e não ficarmos batendo inutilmente na porta da Graça
que, uma vez fechada, jamais será aberta. Você tem consciência da
importância de viver segundo a Luz de Cristo que o Espírito Santo mostra
no seu íntimo?
Observamos
que as néscias não entraram porque, quando não tinham como resolver,
descobriram: "as nossas lâmpadas estão-se apagando"(Mt.
25:8). A luz que elas pensavam ter não foi suficiente para a
eternidade. Por isso Jesus ensinou: "Vede, pois, como ouvis;
porque ao que tiver, se lhe dará, e ao que não tiver, até aquilo que
julga ter lhe será tirado" (Lc.8:18). E também:"Caso a
luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!"
(Mt.6:23). Observe que Jesus diz: "trevas serão"(= para
todo o sempre). Descobre-se o erro quando é tarde demais. Está na
hora de você considerar seriamente o que é que está 'alimentando' a
lâmpada da Sua vida. Não é a 'bênção' da prosperidade material, nem o
sucesso, nem o talento ou dedicação religiosa que mantém acesa a luz da
vida em Deus.
Será
que você pode avaliar o desespero das virgens néscias (tolas)? Será,
sem dúvida, o mesmo desespero de muitos cristãos que, tomando as suas
lâmpadas, "não levam azeite consigo". São os que tomando conhecimento
do fato que 'o noivo está pra chegar', pensam estarem preparados, mas
descobrem, quando é tarde demais, que "aquilo que julgavam ter,
lhes foi tirado": não tinha consistência. Como isso
acontece? Observe o que Paulo diz: "Nos últimos dias
(os atuais, na certeza) sobrevirão tempos difíceis (ferozes,
perigosos); pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos,
arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos,
irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de
si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes
amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade,
negando-lhe, entretanto, o poder. Foge (afasta-se) dos
tais"(2 Tim.3: 1-5).
O
impressionante é que 'tais pessoas' têm até 'uma forma de
piedade', mas sua 'luz' são trevas. A 'forma de piedade' que professam
- dizem que são 'cristãos' ou 'evangélicos' - não lhes dá condição
alguma para viverem preparados para o arrebatamento, mesmo que saibam
que isso está prestes a acontecer. Qual o problema? Tais pessoas
"negam o poder" que livra do pecado e dos enganos do mundo,
porque substituem 'o poder do Espírito Santo' por ordenanças, costumes,
dogmas e sacrifícios de toda natureza, e como os adeptos sabem, todos os
seus esforços religiosos:"não têm valor algum contra a
sensualidade" (Col. 2:23): não os livra do pecado nem dos "cuidados
do mundo, a fascinação da riqueza e demais ambições"
(Marc.4:19). Se o seu problema é esse - e é o problema generalizado
no meio cristão - seja 'apercebido' e tome providências antes que sua
lâmpada - a 'luz' em que você vive se apague. Por que Jesus disse ao
jovem rico "Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres"
(Mc.10:21)? Porque o Mestre sabia que a 'fascinação da riqueza' apaga
a luz dos 'olhos do coração'.
Observe
o que João disse, falando de Jesus: "A Vida estava nEle, e a Vida
(dEle) era a luz dos homens"(João 1:4). O que é a
´luz´ que fará com que você se torne 'apercebido' para todo o sempre?
É a vida de Cristo em você, mediante a fé salvadora. Por isso o
apóstolo Paulo afirmou:"Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive
em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de
Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim"
(Gál.2:20). Esta é a única luz que permanece para todo o sempre:
"Cristo em vós, a esperança da glória" (Col. 1:27).
Quando
Paulo disse: "...iluminados os olhos do vosso coração"
(Ef. 1:18), ele se refere ao "espírito de sabedoria e de revelação
no pleno conhecimento de Cristo" (v17). E é claro que
'iluminação' dessa natureza não é produzida por nós. Para sermos
'apercebidos', estarmos prontos na hora do grito: "Eis o noivo!
saí ao seu encontro"(Mt.15:6), necessitamos que 'os olhos do
nosso coração' sejam 'iluminados'. E quem é que pode fazer isso em
nós? Somente Deus mesmo: Deus Espírito Santo, pois Jesus disse: "Ele
me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de
anunciar" (João 16:14). Ele é o 'azeite' que mantém acesa a
lâmpada.
Haverá
sempre aqueles que não acreditam que, em virtude do Seu grande amor por
nós, o Senhor realmente 'está à porta' e, portanto, eles não estão se
preparando. Se você é um desses, observe o que diz o apóstolo Pedro:
"Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam
demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo
que nenhum, pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá,
entretanto, como ladrão o dia do Senhor..." (2 Pedro 3:9,10).
E naquela hora, como será a lâmpada dos seus 'olhos do coração'? Você
terá luz suficiente para passar para a eternidade com o Senhor?
Por
que no momento do arrebatamento, você não terá como 'arrumar' a sua
lâmpada? Observe: "Eis que vos digo um mistério: Nem todos
dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e
fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os
mortos (em Cristo) ressuscitarão incorruptíveis, e nós
seremos transformados" (1 Cor.15: 51,52). O que é possível
fazer 'num abrir e fechar de olhos" para 'arrumar' os 'olhos do coração'
? Absolutamente nada!
Por
isso Jesus recomenda:"Ainda por um pouco a luz está convosco.
Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem
anda nas trevas não sabe para onde vai."(João 12:35).
"Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo
contrário terá a luz da vida"(João 8:12). Ele é a Luz da Vida
que é para todo o sempre. O triste é considerar que as virgens néscias
da parábola (Mt.25) não morreram, mas passaram a viver como mortas:
separadas eternamente da luz da vida em trevas eternas, sem nenhuma
possibilidade de salvação. A porta da Graça se fecha permanentemente.
Isso,
certamente, mostra-nos porque Jesus disse: "Enquanto tendes a luz,
crede na luz, para que vos torneis filhos da luz."(João
12:36). "Andar na Luz" é deixar, mediante o crer, que Cristo seja a
sua vida, como Paulo afirmou: "Não sou eu quem vive, mas Cristo
vive em mim" (Gál.2:20). "Andar na Luz" não é, como entende o
religioso: procurar fazer com que a sua própria vida - sua crença ou
filosofia - seja sua luz. O que você pode fazer para que o luz natural
do dia sirva a você? Absolutamente nada, porque ela não depende de
você. E, 'andar na luz', mesmo na luz natural, é privilégio de vivo,
não de morto - morto não tem consciência de luz. Por que o 'religioso'
não deixa Cristo ser sua vida? Porque ele é espiritualmente morto; ele
não sente a falta da Luz da Vida. Jesus disse:"Aquele que ouve a
minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra
em juízo, mas passou da morte para a vida"(João 5:24). E esse
'passar' é operação exclusiva e singular do Espírito Santo naquele que
crê. Em outras palavras: a operação do Espírito Santo iluminando os
'olhos do coração' é o 'azeite', que mantém acesa a lâmpada da nossa
vida.
Observe
porém, que, para o 'azeite' servir para luz, ele tem de estar dentro da
lâmpada. E em termos da Vida em Deus, Paulo diz: "Se habita em
vós o Espírito dAquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, Esse
mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará também
os vossos corpos mortais, por meio do Seu Espírito que em vós habita.(Rom.
8:11). O Espírito 'habita' em você? Se a resposta consciente é:
sim, Ele cuidará de manter acesa a lâmpada da vida em você. Mas veja:
ser 'apercebido' é 'levar azeite na vasilha' - no receptáculo que tem o
azeite para a lâmpada. A 'vasilha' da sua lâmpada é o seu espírito.
Na medida em que você dá ao Espírito acesso ao seu espírito, Ele manterá
acesa a lâmpada da sua vida.
Paulo
explica isso assim; "O próprio Espírito testifica com o nosso
espírito que somos filhos de Deus"(Rom.8:16), "Também, o
Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza, porque não
sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós
sobremaneira com gemidos inexprimíveis"(Rom.8:26). Se você
não vive dessa maneira, você arrisca chegar a descobrir que 'sua lâmpada
está-se apagando'.
Por que
será que as pessoas têm tanta dificuldade para aceitar a grandeza da
oração em línguas: o deixar que 'o Espírito Santo interceda por eles
sobremaneira com gemidos inexprimíveis' para manter acesa a lâmpada das
suas vidas? É porque elas não podem 'direcionar' ou 'influenciar' a
intercessão do Espírito no sentido de fazer com que a oração em línguas
sirva aos seus próprios projetos de vida: a única coisa que interessa a
elas. Por isso Jesus disse: "Quem pratica a Verdade, aproxima-se
da Luz a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em
Deus"(João 3:21). Eu pergunto você: qual o controle ou
influência que o homem tem sobre o 'azeite' que alimenta a lâmpada?
Se você tem receio da oração em línguas pois é através dela que o
"Espírito Santo examina o seu coração" (Rm.8:27) revelando-lhe
tudo o que não serve, então você jamais ficará 'apercebido'. Sem os
cuidados do Espírito Santo a luz pode apagar-se em qualquer um de nós.
Se você leu nossas considerações sobre a Parábola do Bom Samaritano
certamente você tem idéia da importância dos cuidados eficientes do
hospedeiro.
- irmão Bernard.
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