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Às
dez para três horas da madrugada, acordei com o meu espírito
angustiado por um quadro assustador: "Multidões, multidões no vale da decisão
(...)" (Joel 3:14): morrendo, agonizando, padecendo,
perecendo . . . por falta de água. Alguns, de joelhos, ou mesmo
prostrados, com o rosto em terra, clamavam por
socorro. Outros, no intuito de não ter consciência
da tremenda agonia da morte, injetavam-se substâncias que
provocavam alucinações, mas logo o efeito daquelas drogas
passava, e novamente eles se retorciam no chão.
Então observei que a maioria
já estava num estupor de morte tão profundo que nada faziam no
sentido de encontrar uma solução. Mas . . . não havia mesmo
solução alguma para eles naquele vale, pois a água de que
precisavam não
corria naquele
deserto. De vez em
quando toda aquela
terrível cena se
perturbava: era
quando alguns, na
ânsia da morte,
investiam contra os
outros, e se
matavam. Olhei . . .
mas não havia nada
naquele lugar que
pudesse aliviar a
situação
desesperadora
daquelas multidões.
E parecia-me que
ninguém se importava
no sentido de se
esforçar como
empenho necessário,
para resolver a
situação daquelas
multidões.
Vi
que alguns, no meio
daquela multidão,
faziam de conta que
não estavam morrendo pois
se ocupavam
continuamente em
vestir-se de branco.
Isso lhes dava a
aparência de estarem
bem e, reunindo-se
em lugares
especialmente
designados, fingiam
adorar a um Deus que
os abandonara à
própria sorte.
Mas era tudo em vão, pois de
vez em quando eles caiam para trás sem forças, e morriam como os
demais; a religiosidade não lhes dava vida.
É impossível descrever com
precisão tudo o que passou no meu espírito naquela madrugada
enquanto o Espírito Santo me mostrava, de maneira tão
dramática, o problema das multidões moribundas.
Então, repentinamente a cena
mudou por completo; vi uma fonte de água. Ali na
montanha pertinho daquele terrível vale da morte, vi uma fonte de
águas cristalinas que jorrava de uma rocha. A paz, a
vida, a esperança que aquela cena projetava era algo
impressionante. Aquela água a jorrar era muito, muito
linda, algo que refrescou o meu espírito, reanimando-me com a
alegria de viver.
Mas então vi algo muitíssimo
triste: bem juntinho àquela fonte de águas cristalinas, havia um
cântaro despedaçado nas rochas. Alguém fora ali
buscar água. Sim, sem a menor dúvida, o cântaro era
para levar água para alguém naquele vale desértico lá embaixo,
mas . . . a pessoa deixou cair o cântaro - o cântaro que poderia
levar, para aquelas pessoas moribundas, a preciosa água de que
tanto necessitavam.
E o cântaro ali ficou,
juntinho à fonte: inútil, sem nenhum valor, quebrado em mil
pedaços. A triste realidade daquela cena inundou o meu
espírito, e o Espírito Santo me disse: 'As multidões perecem
sem a Água da Vida. Procuram, procuram, mas, naquele vale onde
estão, não há ninguém que as possa socorrer. A
única esperança para elas é esta água que jorra desta fonte,
mas quem a levará a elas?'
"Multidões, multidões
no vale da decisão" morrendo por falta desta água, mas
. . .
Continua na página 7
do livro.
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