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Antes da fundação do
mundo, Cristo Jesus disse: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a Tua
vontade” (Hebreus 10:7), e o fantástico é que Ele sabia o quanto
isso custaria a Ele. Paulo procura mostrar a implicação dessa
disposição de Jesus ao dizer: “A si mesmo se humilhou, tornando-se
obediente até à morte, e morte de cruz”(Filipenses 2:8). Morte de
cruz é humilhação ao extremo.
Apresentamos essas
duas citações porque quero considerar: “Não Te comprazes em
sacrifícios, do contrário eu tos daria: e não te agradas de holocaustos.
Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração
compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus”(Salmo 51:16,17).
Uma pessoa acaba de
me perguntar o que é ”espírito quebrantado”. Você sabe? O que
devemos notar é que o “espírito quebrantado” substitui
“sacrifícios”. Há doutrinas de toda natureza que exigem dos fiéis
‘sacrifícios’, mas somente o Evangelho verdadeiro pode oferecer a Deus o
que Lhe é agradável: “o espírito quebrantado”. Por que o
Evangelho é tão diferente dessa maneira? A resposta está nas citações
do primeiro parágrafo desta carta: Porque Jesus Cristo é o único
sacrifício que Deus aceita. Mas, o que isso tem a ver com o
“espírito quebrantado”?
O único sacrifício
aceitável a Deus já foi feito por Ele mesmo, pois Deus fez questão de
“reconciliar o homem consigo mesmo por meio de Cristo”(2 Coríntios
5:18). E o que Ele fez é feito, e é suficiente, não carecendo de
nenhuma maneira da nossa ‘ajuda’. Isto é a superioridade e
exclusividade da Nova Aliança: tudo feito POR DEUS – Graça sobre Graça.
E por que o “espírito quebrantado” é agradável a Deus?
Em uma só palavra,
‘espírito quebrantado’ é mansidão. Mansidão é a condição e atitude
de receber instrução e correção. Jesus nos convida a tomarmos
sobre nós o seu jugo e aprender dele porque ele é “manso e humilde de
coração”(Mateus 11:29). O ‘jugo’ é a canga que une dois bois,
geralmente o menos experimentado ao que tem mais experiência, para
aprender como se deve proceder. Sem mansidão nada se aprende, e você e
eu precisamos aprender com Jesus como viver a vida no Espírito. Não é
por acaso que o apóstolo Tiago disse: “É com ciúme que por nós anseia
o Espírito que ele fez habitar em nós”(Tiago 4:5)
Uma das nossas
maiores dificuldades é conscientizar aos irmãos de que a vida em Deus é
totalmente diferente da vida anterior. Antes, nós levávamos a vida
dentro dos conceitos do mundo natural: tudo desenvolvido mentalmente,
mas agora temos de aprender viver nas condições do Reino: segundo o que
Deus, nos mostra em nosso espírito. Por isso gostamos de mostrar o que
Jesus ensinou na parábola do Bom Samaritano, pois, uma vez que o Filho
de Deus – o Bom Samaritano – chegou a nós, semi-mortos à beira da
estrada da vida, Ele deu-nos o que nenhum homem (nem sacerdote, nem
pastor(levita)) pode fazer: Ele passou para nós a Vida ‘em espírito’ dEle (o azeita e vinho). O que geralmente não se percebe é que ele
levou-nos para uma hospedaria, e fez uma recomendação preciosa ao
hospedeiro o Espírito Santo: “cuide deste homem”, até eu voltar,
e não cobra nada dele, pois eu pago TUDO(Lucas 10:35). O que
necessitamos entender é o que significa ‘cuidar deste homem’.
O apóstolo João
descreve os cuidados do Espírito Santo assim: “Quanto a vós outros, a
unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de
que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de
todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele,
como também ela vos ensinou”(1 João 2:27). Você e eu precisamos
aprender do Espírito ‘o como’ se vive em Deus em ‘todas as coisas’,
pois as condições que recebemos são bem diferentes das condições da
nossa vida anterior. E para esse aprendizado só há uma condição
possível: “o espírito quebrantado”: manso e pronto a receber
instrução no íntimo quanto a todas as coisas, para vivermos dia-a-dia, em
todo momento, na vitória de Jesus.
É a isso que Paulo se
refere ao dizer: “Falamos (e vivemos) a sabedoria de Deus em
mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para
a nossa gloria(...)pois, Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem
jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles
que O amam, mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”(1 Coríntios
2:7,9,10). Deus somente pode relacionar-se com “o espírito
quebrantado”, manso, totalmente isento de ‘vaidade e rebeldia’, ou
como Tiago diz: “Despojando-vos de toda impureza e acúmulo de
maldição, [de que maneira?] acolhei com mansidão a palavra em
vós implantada, [pelo Espírito Santo] a qual [palavra]
é poderosa para salvar as vossas almas”(Tiago 1:21).
Há entre muitos
cristãos uma terrível resistência (falta de espírito quebrantado)
quanto à oração em línguas. Deus disse: “Por lábios gaguejantes e
por língua estranha falará o Senhor a este povo”(Isaías 28:11), mas
por “não quiserem ouvir”(v12), “a palavra do Senhor lhes será
preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra,
regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali (ordenanças,
obrigações e sacrifícios sem fim ao invés do descanso da fé); para
que vão, e caiam para trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam
presos”(v.13). Pelos “gemidos inexprimíveis” o Espírito
“intercede por nós, porque não sabemos orar como convém”(Romanos
8:26), se não quisermos dar-lhe condições, empobrecidos ficamos nós. “O
espírito quebrantado; coração compungido e contrito” Deus jamais
desprezará.
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