Acabei de receber um
e-mail de uma irmã que pergunta como se ora, se é para Deus ou a Jesus,
e quero falar um pouco sobre o assunto oração. Vejo também que há
alguma dúvida quanto ao orar em línguas ou orar em português. Será que
há diferença?
O apóstolo Paulo diz:
“Se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha
mente fica infrutífera. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas
também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei
com a mente.”(1 Coríntios 14:14,15).
Ele diz também:
“Orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda
perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim;” (Efésios
6:18,19). “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém,
sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela
súplica, com ações de graça”(Filipenses 4:6).
Em todos esses casos,
é você se relacionando com Deus, tanto pela oração em línguas, quanto
pela oração em português, mas há diferença de resultado. Há pessoas
que reclamam que Deus não os ouve ou não responde às suas orações, mas
isso é porque não entendem o que é orar. Deus fez você para viver com
Ele para todo o sempre, e é através das suas orações que Ele Se
identifica com você: com o que você é no íntimo. Deus fica muito
contente quando você se relaciona com Ele, mas você precisa se
conscientizar de como é seu relacionamentos com Deus através da oração.
A oração em línguas a
sós com Deus [o Espírito Santo intercedendo por você com gemidos
inexprimíveis (Romanos 8;26)] beneficia somente a você, é a maneira que
Deus “fala” no seu íntimo(Is.28:11) as Verdades que “nem olhos viram,
nem ouvidos ouviram nem jamais penetrou em coração humano do que Deus
tem preparado para aqueles que O amam”(1 Coríntios 2:9). Você não
entende a língua, pois, “quem fala em outra língua, não fala a
homens, senão a Deus. Visto que ninguém o entende, e em espírito fala
mistérios”(1 Coríntios 14:2). A oração em línguas é você e Deus em
comunhão íntima, pois a língua não é tua, é do Espírito Santo, pois
“É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que Deus fez habitar em nós”(Tiago
4:5).
A oração em
português, no entanto, beneficia a outros. Observe que Paulo diz acima:
“súplica por todos os santos, e também por mim;” e também
“sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela
súplica, com ações de graça”. Será que entendemos o que é isso?
Súplicas e petições são os desejos do coração: aquilo que você deseja
de verdade para “os santos” ou para alguém. Por que
sublinhei a expressão ‘deseja de verdade’? Porque Jesus fez uma
advertência quanto à oração: “Orando, não useis de vãs repetições,
como os gentios; porque presumem (não tem fundamento isso) que
pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis pois, a eles;
porque Deus o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidades, antes que
lho peçais”(Mateus 6:7,8). A oração a Deus não é uma obrigação e
muito menos o cumprimento de um dever, como se faz em todas as religiões
do mundo: um rito que tem de ser cumprido para agradar a Deus. Isso
não muda nada na vida de ninguém, e em nada é ouvido perante Deus.
Jesus ensinou a
oração verdadeira na parábola do fariseu e publicano no templo: “Dois
homens subiram ao templo com o propósito de orar: um fariseu e o outro
publicano”(Lucas 18:10). O ‘propósito’ era igual, mas a maneira de
orar era bem diferente. “O fariseu, posto em pé (a vista de todo
mundo) orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou,
porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos, e adúlteros,
nem ainda como este publicano, jejuo duas vezes por semana, e dou o
dízimo de tudo quanto ganho.”(v.11,12). Essa é a maneira de perder
tempo com Deus, orando de si para si mesmo. Oração assim não muda
coisa alguma, pois é uma recitação de vaidade própria e mais nada. A
pessoa que ora dessa maneira sempre reclamará que Deus não ouve a suas
orações.
A oração do publicano,
porém, valeu, pois obteve resposta imediata. Observe o que Jesus disse:
“O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os
olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim,
pecador!”(v.13). Será que ele conseguiu o que precisava? Jesus
disse: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não
aquele; porque tudo o que se exalta, será humilhado; mas o que se
humilha, será exaltado”(v14). Você acha que o publicano foi ouvido
porque “batia no peito”? Não, ele foi ouvido – recebeu de Deus o que
desejava – pois “Eis que Tu comprazes na verdade no íntimo”(Salmo
51:6). Você e eu perante Deus somos o que somos de verdade, no íntimo,
não como queremos que os outros nos vêem. Por isso Jesus disse à
mulher de Samaria: “Já chegou a hora quando os verdadeiros adoradores
adorem o Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o Pai
procura para Seus adoradores. Deus é Espírito e importa que os Seus
adoradores O adorem em espírito e em verdade”(João 4:23,24).
Se as suas orações
não logram as respostas de Deus que você deseja para os outros, isso é
porque você não está orando com fé. Convém
você der mais condições ao Espírito Santo para interceder por você com
gemidos inexprimíveis, para "edificar-se na vossa fé santíssima"(Judas
20). Deus deseja Se relacionar com você em seu
próprio benefício e também no benefício dos outros, mas tem de ser nos
termos dEle, pois Deus opera conosco em termos eternos mediante a fé, não de modo a
nos contentar temporariamente. Deus é verdadeiro, e por isso somente
Se relaciona com o que é verdadeiro.
Nota:
Quanto ao falar com
Deus ou em nome de Jesus, isso não importa pois Deus é um só: Deus Pai:
provedor; Jesus: Salvador.Não se pede em nome do Espírito Santo.