Há um livro muito
conhecido no meio dos evangélicos, com o título ‘O Peregrino’ em que um
inglês do século 17 chamado John Bunyan, descreve o caminho da vida do
cristão. O que não é muito conhecido é um segundo livro dele intitulado
‘Guerra Santa’ em que a cidade que ele chama de Almahumana, sitiada por
Diabolus, é libertada por Emanuel. Por que falo disso? Porque
recentemente tenho entendido melhor a grande diferença entre a condição
do homem do Antigo Testamento e a do homem do Novo Testamento em termos
do combate espiritual. Quero considerar isso com você porque sei que
essa ‘guerra’ individual é pouco entendida nos dias de hoje.
Observe estas observações que uma
irmã acaba de me enviar por e-mail:
Vejo que o dia a dia nos consome e
acabamos vivendo muito mais na alma (que no espírito). Sempre estou ao
redor de pessoas religiosas, pois este mundo está tomado por estas
pessoas, e elas acreditam que ser revestida pelo Espírito Santo é
praticar as doutrinas aprendidas na igreja, e não vêem como Deus é
simples, e que não precisamos praticar sacrifícios etc.
Por que é assim?
Será que a ‘luta de cada dia’ da alma não acaba jamais? O John Bunyan
diz no seu livro que a nossa alma foi ‘sitiada por Diabolus’, mas
liberta por Emanuel. Você sabe que o nome Emanuel significa Deus
conosco, e é isso que faz com que a condição de vida do homem depois da
vinda de Jesus é diferente. Deus, em Cristo, mudou tudo para nós.
O homem do Antigo
Testamento travava uma luta contínua porque sua alma foi sitiada por
Diabolus, mas não é o nosso caso nos dias do Evangelho. Hoje o problema
do homem não é o diabo, mas sim a corrupção da natureza pecaminosa,
aquilo que o apóstolo Tiago chama de “acúmulo de maldade” (Tiago
1:21). Quando o cristão se esconde sob o pretexto de ser vítima do
diabo, ele não somente engana a si mesmo, mas nega o que Cristo fez por
nós. Cada um de nós é seu próprio problema em virtude da natureza
pecaminosa em que nasceu. Veja o que diz Tiago:
“Cada um é
tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a
cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma
vez consumado, gera a morte” – Tiago 1:14,15.
Como isso, nos dias do
evangelho, difere da vida do Antigo Testamento? Como já dissemos, a
vinda de Jesus mudou tudo para nós. De que maneira? Jesus foi
enfático: “O príncipe deste mundo (o diabo), já está julgado”(João
16:11). E o escritor aos hebreus diz que Jesus “por Sua morte
destruiu aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrou a
todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a
vida”(Hebreus 2:14,15). Aquele que nasceu de novo em Cristo,
mediante a fé, não é “sujeito à escravidão” do diabo, ele é livre. Por
isso Paulo diz: “Para vivermos livres foi que Cristo nos libertou.
Permanecei, pois, firmes, e não vos submetais de novo a jugo de
escravidão” (Gálatas 5:1). Você se submete à escravidão, se
quiser, não porque você é obrigado. Sei que nenhum de nós gosta de
admitir que peca porque quer, mas a verdade é isso.
O que desejo que você
se conscientize é de que a Almahumana foi liberta por Emanuel, que é
Deus conosco em todo momento e situação da nossa vida. “O príncipe
deste mundo já está julgado”. Na cruz Jesus clamou: “Está
consumado!”(João 19: 30) e, portanto, Ele afirmou: “nada
absolutamente vos causará dano”(Lucas 10:19). Veja o que se diz no
livro de Apocalipse a respeito do diabo: “Foi expulso o grande
dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de
todo o mundo”(Apoc. 12:9). Ele é chamado de “sedutor” ou enganador,
não somente porque ele ‘induz ao erro’, mas também porque ele não tem o
poder que procura mostrar. Numa passagem de Apocalipse se diz que
“ele era, e não é, mas aparecerá” (Apoc.17:8), porque ele ‘faz de
conta’ que pode algo, mas de verdade, ele “não é”, isto é, nenhum
poder tem porque já foi julgado, destruído, por Jesus. Por isso Jesus
diz: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo
(mantenha forte o seu espírito, e firme a sua fé, porque) eu venci o
mundo”(João 16:33).
Então, você pode
perguntar: Como posso permanecer na liberdade com que Cristo me
libertou? Jesus foi enfático: “Se vós permanecerdes na minha palavra
(...) conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”(João
8:31,32). Você ‘permanece na palavra’ mediante a sua fé: uma firme
confiança no que Deus fez por nós em Cristo, rejeitando conscientemente
qualquer sugestão contrária. Para você, o que Deus diz é, e ponto
final. Qual o resultado? Você passa a “conhecer a verdade”,
isto é, você descobre que o que Deus diz É em sua vida: o que Deus diz
se torna a sua experiência. Quando você decide “atentar nas coisas
que não se vêem;”(2 Cor.4:18), isto é, aceitando-as pela fé, elas se
tornam a realidade em você. É dessa maneira que opera a nossa fé, e o
diabo nada pode contra a fé. Por isso João diz: “Tudo o que é
nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a
nossa fé”(1 João 4:4). Portanto: “Despojando-vos de toda
impureza (rejeitando-a terminantemente) e acúmulo de maldade,
acolhei com mansidão a Palavra em vós implantada (pelo Espírito
Santo), a qual é poderosa para salvar as vossas almas”(Tiago
1:21). Você pode rejeitar toda impureza e acúmulo de maldade, se
quiser, porque você é livre: a condição da Almahumana é a liberdade
conquistada por Emanuel. Quando isso é a verdade de sua vida,
mediante a fé, você realmente conhece na prática a riqueza da herança
que Jesus conquistou por você.