Na carta anterior, eu disse: devemos
sempre lembrar que a salvação é Vida, não uma mera concepção.
E que ela opera em nós dentro do princípio da reciprocidade:
Deus somente pode ser para você o que você é para os outros. Amando,
você é amado. Perdoando, você é perdoado. Julgando, você é
julgado, etc.
Na
semana passada, uma nova convertida me perguntou: O que Jesus quis dizer
com: “e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o
que desligares na terra será desligado nos céus"? Isso tem algo a
ver com o catolicismo? Quer dizer que, se o papa, padre, sei lá,
perdoar nossos pecados, Jesus também os perdoará?
Como
essa pergunta trata da mesma verdade que a minha referência à
reciprocidade, achei por bem considerar o assunto com você agora.
O
Evangelho é Vida, ou, podemos dizer, a Fé é um comportamento.
Lamentavelmente as doutrinas ensinadas nas igrejas seguem a lei
do Antigo Testamento: colocam ordenanças, obrigações, costumes e
regras. E, claro, não ajudam as pessoas a viverem de verdade a sua fé.
As pessoas ouvem o que é pregado, vão embora e procuram viver segundo
o que foi pregado, mas, apesar de seus esforços, falham e se sentem
cada vez mais frustradas e desanimadas.
Em outras palavras: procuram ‘ligar e desligar’ as coisas na
terra na esperança de estarem ‘ligando e desligando’ as coisas nos
céus, mas nunca conseguem ser verdadeiramente livres.
Observe
como Jesus ensinou: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois
verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade
vos libertará” (João 8:31,32). Destaquei a palavra
‘permanecerdes’
porque aquele que ‘permanece’ na Palavra, vive a libertação
que a Palavra produz.
E foi justamente isso que eu disse na carta anterior: Amando, você
é amado. Perdoando, você é perdoado. Julgando, você é julgado, etc.
Na citação acima, Mateus 16:16-19, quando Pedro disse a
Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, Jesus lhe afirmou:
“Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue
quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus. Também Eu te digo que
tu és Pedro...”.
Ou seja: tu disseste quem sou Eu e Eu também digo quem és tu,
Pedro. E acrescentou, referindo-se ao relacionamento entre eles (Jesus e
Pedro, Pedro e Jesus): ”sobre esta pedra (o relacionamento verdadeiro
que há entre nós, a sua fé em mim) edificarei a minha igreja, e as
portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
A pedra é a nossa ‘confissão’, o nosso relacionamento
verdadeiro com Cristo.
E Pedro mesmo declarou isso, ao afirmar: “A pedra que os
construtores rejeitaram (observe isso: Jesus), essa pedra veio a ser a
principal pedra, angular e pedra de tropeço e rocha de ofensa. São
estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também
foram postos. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação
santa, povo de propriedade exclusiva de Deus (que relacionamento fantástico!),
a fim de proclamardes(viverdes no dia-a-dia) as virtudes dAquele que vos
chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.”(1 Pedro 2:7-9).
Observe
que destacamos: relacionamento verdadeiro e proclamardes,
porque exprimem a verdade prática da continuidade da conversa de
Jesus com Pedro, que é ensinamento para todos nós: “Dar-te-ei as
chaves do reino dos céu (mostrar-lhe como funciona o reino dos céus):
o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares
na terra, terá sido desligado nos céus” (Mt.16:19).
Entenda: se você está perdido, pode ajudar outro que também
está perdido?
Se você está se afogando no mar, pode salvar o companheiro que
também está se afogando?
Você e eu somente podemos ser para os outros o que somos de
verdade.
Se você tem fé verdadeira, você pode ajudar o outro a ter fé
verdadeira.
É
esse o sentido da reciprocidade no Evangelho.
É
isso que Jesus ensinou sobre o perdão na oração dominical: “Pai,
perdoa-nos as nossas dívidas (ofensas), assim como nós temos perdoado
aos nossos devedores” (Mateus 6:12).
“Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com
a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” (Mateus 7:2)
“Ou como dirás a teu irmão: Deixe-me tirar o argueiro do teu
olho, quando tens a trave no teu?”(Mateus 7:4).
“As chaves do reino dos céus” (como se vive nos céus)
são: conhecer a Verdade e viver na liberdade que Ela produz.
E como se faz isso na prática do dia-a-dia?
O apóstolo João nos explica:
“Quanto a vós outros, a unção que de Deus recebestes (o Espírito
Santo) permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos
ensine; mas, como a Sua unção vos ensina a respeito de todas as
coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nEle, como também
ela vos ensinou” -1 João 2:27.
No
dia a dia, o Espírito Santo, que habita em nós, sempre nos alerta como
devemos proceder para viver na “Liberdade com que Cristo nos
libertou” (Gálatas 5:1).
Por exemplo, quando não amamos ao nosso irmão como Cristo nos
amou, o Espírito nos faz lembrar que “aquele que não ama a seu irmão,
a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê” (1 João 4:20).
Se não vivermos no perdão que recebemos, cairemos sempre no
tormento dos ‘verdugos’ (da nossa consciência), como Jesus mostrou
na Parábola do Credor Incompassivo (Mateus18:34,35) Irmão,
espero que isso ajude você a viver o seu dia-a-dia no Evangelho, livre
da auto-condenação e da pressão do inimigo, livre na Terra como você
há de viver livre no Céu.