Durante
a conferência no Hotel Tauá (17 a 21 de julho), uma irmã me fez uma
pergunta quanto à salvação. Ela me disse que, para ela, já recebemos
a salvação, enquanto o seu marido diz que temos de conseguir a salvação. Observei que provavelmente, nem ela nem o marido
souberam expressar com clareza a salvação, que é uma dádiva da Graça
de Deus, e possivelmente a minha resposta na hora não foi
suficientemente precisa.
Assim, observe o que diz o apóstolo Paulo em Filipenses
2:12-13.:
“Amados meus, como
sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora
na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar,
segundo a Sua boa vontade”
Se observarmos somente o verso 12: “desenvolvei
a vossa salvação com temor e tremor”, podemos cair no erro de
pensar que a nossa salvação depende do nosso próprio esforço. Isso entra em conflito com o que Paulo disse a Tito:
“Não por obras de justiça praticadas por nós, mas
segundo a Sua misericórdia, Deus nos salvou mediante o lavar
regenerador e renovador do Espírito Santo” – Tito 3:4.
Por isso mesmo Jesus disse a Nicodemos, em João
3:6-7:
“O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido
do Espírito, é espírito. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos
nascer de novo”.
No natural, o que você fez para nascer? Nada. Do
mesmo modo, você nada pode fazer para nascer de novo, pois é obra
exclusiva do Espírito Santo em todo aquele que crê em Jesus
Cristo.
Então,
por que será que Paulo diz: “desenvolvei a vossa salvação com
temor e tremor” e ainda que isso é ‘obediência’? Se
continuarmos a leitura de Filipenses (verso 13), teremos a resposta: “...
porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar,
segundo a Sua boa vontade.” Jesus explica isso claramente no
Seu ensinamento em Mateus 7:15-20 sobre a árvore e seu fruto: aquilo
que ela produz. Observe Mateus 7:16:
“Colhem-se,
porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?”
Por que a laranjeira produz laranjas?
Por causa da natureza dela.
Ela não pode produzir outro tipo de fruto, não é mesmo?
Semelhantemente, por que uma planta ruim não produz fruto bom?
Por causa da sua natureza ruim.
Mas o que é que faz com que a árvore produza frutos?
É a operação da seiva (vida) no tronco, nos galhos, nas
flores dela, isto é, o que ela é por dentro manifesta-se por fora
através dos frutos que produz.
Pode uma árvore morta por dentro produzir bons frutos?
Claro que não!
É
isso que Paulo ensina: “Deus é quem efetua em vós tanto o
querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.” O que você e
eu precisamos é prestar atenção no Espírito, que opera em nosso íntimo,
para que produzamos os frutos da salvação que opera em nós. É dessa
forma que desenvolvemos a nossa salvação com temor e tremor.
Com “temor e tremor” significa: na sensibilidade da
obediência a Deus e ao Espírito Santo, que opera incansavelmente em nós,
segundo a Sua boa vontade para o nosso bem.
Devemos
sempre lembrar que a salvação é Vida, não é uma mera concepção.
E que ela opera em nós dentro do princípio da reciprocidade: Deus
somente pode ser para você o que você é para os outros.
Amando, você é amado. Perdoando, você é perdoado. Julgando, você é
julgado, etc.
Talvez
você não tenha pensado, irmão,
que é o próprio Deus “quem efetua em você tanto
o querer como o realizar”, a sua salvação por amor a você, e isso é a Sua
vontade continuamente. Observe
que Ele afirma, em Jeremias 31:3: “Com amor eterno Eu te amei,
por isso com benignidade te atraí.”
E
Paulo diz: “Tu, ó homem, desprezas a riqueza da Sua bondade, e
tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te
conduz ao arrependimento?” – Romanos 2:3,4.
Espero que você possa, através da obediência ao
que o Espírito Santo mostra no seu íntimo, desenvolver, dia após dia,
a riqueza da salvação que você recebeu absolutamente de Graça e que
não depende de nada que você faz.
Proceder como nós bem entendemos é destruição na certa.
Viver segundo Deus é Vida, vitória, livramento, paz e alegria no
Espírito Santo continuamente. É assim, na base da reciprocidade,
que você e eu desenvolvemos a nossa salvação.