Estamos
iniciando mais um ano. Como será 2005? Entendo que os acontecimentos ao
fim do ano passado na Ásia assustaram alguns de vocês porque há uns
cinco anos a gente vem alertando que vamos entrar em tempos difíceis.
Digo ‘alguns se assustaram’ porque, para a maioria, o que aconteceu
lá, bem longe de nós, nada significa. Que pena!
Não por aqueles tantos milhões diretamente afetados, mas pena
porque “não podeis discernir os sinais dos tempos” (Mateus 16:3).
Vivemos os tempos mais importantes: “os princípios das dores”
(Mateus 24:8), e tenho a certeza, no meu espírito, de que “haverá
grande tribulação (sobre todos), como desde o princípio do mundo até
agora não tem havido, e nem haverá jamais” (Mateus 24:21). Mas
porque tudo passa com ‘os outros’, longe de nós, continuamos em
nossa vida rotineira, procedendo como sempre.
Quando é que vamos despertar
para a realidade deste fantástico momento na história da humanidade?
Você acha que nada vai atingir você? Jesus disse ainda: “Não
tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém seria salvo; mas por
causa dos escolhidos (espero que você seja um deles), tais dias serão
abreviados” (Mateus 25:22). Estou
bastante assustado com a ‘comodidade’ da maioria daqueles que dizem
que ‘estão na Verdade’. Vejo que somente se preocupam com as coisas
materiais que, para muitos é sinal de ‘prosperidade em Deus’ e
‘segurança’, quando de fato não têm nada com Deus. “Se as
vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração” (Salmo
62:10).
Eu disse acima: “continuamos
em nossa vida rotineira’, e é mesmo impressionante o procedimento de
muitos que ‘dizem estar na Verdade’. Observe o E-mail que acabo de
receber:
‘Como
devo proceder, irmão Bernardo, com meu esposo que apesar de estar sendo
alcançado por esta visão da verdade viva em grande maioria... esteja tão
envolvido com as obras da carne: prostituição, vícios. Ontem, depois
de 13 anos, ele voltou para casa meio alcoolizado... sua natureza se
torna acusadora e agressiva...’
Que tristeza! ‘Alcançado
por esta visão da Verdade Viva em grande maioria...´! O que é isso? Alcançado...
como? Mas não se assuste,
com muitos de vocês é exatamente isso que acontece: não entenderam o
que é “esta visão da Verdade Viva”.
Irmão querido, o que procuramos fazer não é substituir ou
mudar uma forma de religiosidade. O
que procuramos fazer é mostrar para você que há uma vida – uma vida
verdadeira em Deus. O que essa pobre irmã acima ainda não entende é
que ela não está vivendo em Deus, está apenas ‘se esforçando,
procurando...´ Agradeço o E-mail dela, pois me dá oportunidade de
conversar mais diretamente com você.
Observe estas duas citações:
“O fariseu, posto em pé, orava de si para si
mesmo . . .” (Lucas 18:11)
“Vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves
aquilo, não toques
aquiloutro,
segundo os preceitos e doutrinas dos homens (...) tais coisas, com
efeito, têm aparência de sabedoria, como o culto de si mesmo.”
(Colossenses 2:20-23)
Você observou as expressões
em negrito: “orava de si para si”, “culto de si mesmo”? A situação
da irmã do e-mail, e de muitos de vocês, é exatamente essa: ´cultuando
a si mesmo´, ou seja, procedendo como bem entendem, sem dar ouvidos a
Deus. Isto é o que o apóstolo
Tiago chama de “enganar-se a si mesmo”(Tiago 1:22). É por isso que
Paulo exorta: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé;
provai-vos, a vós mesmos” (2 Cor.13:5).
Se você se submete aos “preceitos e doutrinas dos homens”,
ou mesmo procede como você acha correto ou pensa deve ser, isto é “culto de si mesmo”, ou seja, você está satisfazendo apenas seu próprio
ego. Proceder assim
nada tem a ver com Deus. É
como o fariseu que “orava de si para si” no templo.
Jesus disse que ele nada conseguiu, pois não se chegou a Deus.
O problema da irmã do e-mail,
e do seu marido, é que não ouvem a Deus, ou seja, procedem
religiosamente como bem entendem.
Não há libertação assim.
O Evangelho não é uma ‘filosofia de vida’, é Vida – é a
natureza de Deus em nós. É
isso que faz a diferença. Fora
disso, é só teoria e esforço próprio: obras mortas que não produzem
vida. Outro dia uma irmã
me perguntou qual o relacionamento da fé com as circunstâncias.
Eu respondi a ela assim: irmã, qual o relacionamento entre a
estrela e o seu cachorro? Ela
disse: Nenhum. Aí está a resposta: a fé e as circunstâncias não têm
relacionamento entre si.
Fico impressionado como alguns
irmãos se preocupam com determinados assuntos os quais o apóstolo
Paulo chama de: “falatórios inúteis e profanos, pois os que deles
usam passarão à impiedade ainda maior” (2 Timoteo 2:16).
Refiro-me, por exemplo, àqueles que acham importante discutir
como foi, ou como não foi, o relacionamento sexual de Adão e Eva antes
da queda, que é o mesmo discutir sobre o sexo dos anjos.
Que importância tem isso para nossa vida em Deus? Ah! Irmão,
alguém diz, é para nossa maior ´santificação’. Quem casou Adão e
Eva? Isso promove a nossa ´santificação´? É lamentável que tais
pessoas não entendem que ‘estudos’ dessa natureza, e também sobre
as interpretações de Apocalipse, nada têm a ver com a ‘santificação’.
Paulo disse acima que o resultado dos tais “falatórios” são
inúteis e levam a “impiedade ainda maior”.
Pode isso ser ´santificação?
E convém lembrar que sexo, no casamento, é instituição
divina, como afirma o escritor aos hebreus: “Digno de honra (observe
isso) entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula” (Hebreu13:4).
Irmão, saiba “discernir os
sinais dos tempos” e preocupe-se em ouvir o que diz o Espírito Santo
no seu íntimo dia após dia. “Ninguém vos engane com palavras vãs
(...) Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e,
sim, como sábios, remindo o tempo (aproveitando toda oportunidade dada
pelo Espírito), porque os dias são maus” (Efésios 5:6,15,16).